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Páscoa: Deus se apresenta ao mundo

Parte I

Texto Básico: Êxodo 6.1-9; 6.28–7.6

Introdução

Como você descreveria a obra da redenção?

Em que ela consiste? Paulo a descreve da seguinte forma: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14). Pedro fala que Deus nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9). A libertação é o primeiro e decisivo passo para a nossa redenção. É justamente isso que a Páscoa comemora.

Há dois importantes aspectos que são celebrados na Páscoa: o confronto entre Deus e o mundo e a apresentação de Cristo para o crente. Na lição de hoje nos dedicaremos ao primeiro aspecto.

1. A realidade da escravidão

A ligação da Páscoa com a saída do povo de Deus do Egito é bastante óbvia. Em nossas celebrações da Páscoa, esse evento é quase tão lembrado quanto a morte e ressurreição de Jesus. De fato, o êxodo é o evento originador da Páscoa. Antes dele nada havia para Israel celebrar. Em Deuteronômio 16.1, Moisés diz: “Guarda o mês de abibe e celebra a Páscoa do Senhor, teu Deus; porque, no mês de abibe, o Senhor, teu Deus, te tirou do Egito, de noite”.

Durante mais de uma centena de anos (alguns calculam 200 anos) o povo hebreu esteve subjugado à escravidão no Egito, a maior nação do mundo naquela época. Essa escravidão ia aumentando em seu horror à medida que os egípcios viam que não conseguiam interromper o crescimento do povo hebreu. Em certo período, Faraó chegou a ordenar que os meninos hebreus que nascessem fossem jogados no rio Nilo para morrer. O pior de tudo é que o povo estava completamente longe do Deus que chamou e abençoou seus pais e fez extraordinárias promessas a eles. Você pode imaginar quão intensas eram a dor e a angústia que esse povo tinha de enfrentar.

Não só imaginamos, mas experimentamos uma escravidão muito mais intensa. Todos nós nascemos escravos da morte e do pecado (Jo 8.34).

Vivemos sobre o terrível poder de Satanás, o príncipe desse mundo. Jesus declarou que esse tirano só procura roubar, matar e destruir (Jo 10.10). Ele vivia a nos aterrorizar pelo pavor da morte (Hb 2.14-15) e diariamente nos acusava diante de Deus (Jó 1.9-11; 2.4-5; Zc 3.1; Ap 12.10).

A Bíblia também ensina que antes de conhecer a Cristo nós éramos escravos desse mundo e da carne (Ef 2.1-3). Muitas vezes não temos dimensão das algemas que nos prendiam a este mundo. Essa escravidão atingia os nossos pensamentos, entendimento, coração e ações (Ef 4.17-19). Esse poder é tão forte que Paulo afirmou: “eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.14-15).

A condição do homem é tão precária que ele nem mesmo se dá conta da miséria a que está submetido. Ele se arma de estratégias para encobrir sua desgraça e sua dor. Diversões, baladas, bebidas, drogas, prostituição, pornografia em diversos níveis e tantas outras coisas são usadas para anestesiar a consciência (1Tm 4.1-2). Aqueles que praticam essas coisas parecem estar curtindo a vida, mas, na verdade, estão apenas aprofundando seu estado de morte (Pv 16.25; 22.5).

A escravidão no Egito é uma demonstração clara da escravidão a que todo o homem está submetido, desde o seu nascimento até a sua morte. Mas essa situação estava para mudar. Tanto física quanto espiritualmente.

Depois de preservar a vida de Moisés e dar a ele uma formação especial no próprio palácio de Faraó; após tê-lo deixado por sua própria conta no deserto de Midiã, Deus se apresentou a Moisés e anunciou que descera para libertar o seu povo (Êx 3.6-8).

2. Quem é o Deus do Êxodo?

No diálogo entre Deus e Moisés, registrado em Êxodo 3 e 4, várias características de Deus são apresentadas, algumas, de certo modo, pela primeira vez.

A. Deus santificador

Quando Moisés se aproximava para ver a sarça ardente, Deus o advertiu: “tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êx 3.5). Desde então, a santidade foi um tema constante na vida de Moisés. Em muitos aspectos, Moisés e o povo aprenderam que o Senhor era um Deus Santo, que requeria a santificação do seu povo. Ele afirmou: “Eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.45). Essa é a única forma de manter comunhão com Deus. Um requisito básico para que alguém seja verdadeiramente livre.

B. Deus fiel à suas promessas

Ao se apresentar, Deus afirmou seu relacionamento com os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Essa não é uma referência casual. O relacionamento de Deus com seu povo, não estava começando naquele momento. Ele tinha raízes antigas e profundas. Tinha base no fato de que Deus, séculos antes, escolheu homens, transformou-os e fez a eles promessas de salvação para sempre. Ele seria o Deus deles e de sua descendência. Por isso, fiel aos seus propósitos redentores e às promessas que fez, o Senhor se dispôs a libertar os hebreus do Egito.

C. Deus compassivo

A terceira característica apresentada no texto é a compaixão divina. “Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento” (Êx 3.7).

Não eram apenas os compromissos passados que traziam Deus ao Egito. Deus afirmou sua proximidade com o seu povo e seu interesse pelo seu bem estar. A majestade divina não o impede de se aproximar do homem nem de cuidar dele (Is 57.15).

D. Deus que se utiliza de servos

Deus não está apenas anunciando a Moisés o que faria. Ele está comissionando Moisés para realizar a obra redentora: “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (Êx 3.10). A obra é de Deus e somente ele pode realizá-la, mas aprendemos aqui que Deus a realiza enviando e capacitando os seus servos, dando-lhe condições naturais e espirituais para fazer aquilo que é impossível aos homens (Mc 10.26-27). Ao conhecermos Deus, somos convocados para a sua obra, por isso somos chamados de servos.

E. Deus que deseja ser adorado

Nessa mesma linha acerca do serviço, Deus anuncia a Moisés que o capacitaria a libertar o povo hebreu da escravidão no Egito para que este fosse servir a Deus (Êx 3.12). No verso 18, esse propósito é descrito como sacrificar ao Senhor e em 5.1, Moisés se refere à celebração de uma festa no deserto. Ainda que o serviço a Deus não se resuma à adoração (1Sm 15.22), ela é um claro sinal de que somos servos de Deus (Sl 50.23). O crente que não tem prazer no culto que é prestado ao Senhor, certamente não se agradará dele nas demais áreas de sua vida.

F. Deus eterno

A sexta característica a ser destaca é a eternidade de Deus. Nos versos 14 e 15, Deus revela o significado sublime de seu nome. Ele é o que é. É o Deus dos ancestrais dos hebreus e é o Deus das gerações futuras. O tetragrama YHWH, normalmente registrado como SENHOR em nossas Bíblias, é a marca de um Deus que não muda, que não é novo nem antigo, um Deus que não é ultrapassado nem progressista, um Deus que simplesmente é por todas as gerações.

G. Deus poderoso

Por fim, Deus reafirma sua mão forte. “Portanto, estenderei a mão e ferirei o Egito com todos os meus prodígios que farei no meio dele; depois, vos deixará ir” (Êx 3.20). Ao libertar Israel, Deus demonstra seu supremo poder diante de todos os poderes deste mundo (estudaremos isso na próxima seção).

H. Quem vê a mim, vê ao Pai

Facilmente verificamos em Jesus essas características divinas. Sua encarnação teve como propósito a nossa redenção (Lc 19.10). Seu caráter santificador foi afirmado em João 13.8; 15.3. Seu caráter fiel é visto no modo como ele cumpriu todas as profecias registradas no Antigo Testamento (Lc 4.21). Sua compaixão e preocupação são vistas no modo como ele tratava as multidões (Mt 9.35-36). Os discípulos de Jesus foram comissionados e capacitados para ir por todo o mundo pregando o evangelho (Mt 28.19-20). Como Deus, ele deseja a adoração (Jo 16.14; 17.5), sua eternidade é afirmada (Hb 13.8), tanto quanto o seu poder (Mt 3.11).

Assim percebemos que todas as características mostradas a Moisés são plena e perfeitamente vistas em Jesus Cristo. É por isso que João pode afirmar: “e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14).

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