Ainda não há comentários

O ofício profético: Cristo e a Palavra de Deus – Parte II

Texto básico: Isaías 52.13–53.12

Leitura diária
D Jo 14.16-31 Cristo e o Espírito
S Jo 16.1-24 A missão do Consolador
T Mt 28.18-20 Estarei convosco
Q Mc 3.13-19 A autoridade dos apóstolos
Q At 2.42-47 A doutrina dos apóstolos
S 2Pe 1.20, 21 Da parte de Deus
S 1Co 3.10-17 O fundamento é Jesus

III. O ofício profético de Cristo na Escritura

À luz do que foi dito acima, é correto considerar a própria Escritura como um aspecto do ministério profético de Cristo. Em primeiro lugar, o Cristo ressurreto enviou seu Espírito à sua igreja. O Espírito veio no Pentecostes a fim de equipar a igreja para sua grande tarefa no mundo. Quando deixou seus discípulos, Jesus prometeu estar com eles ao longo dos séculos (Mt 28.20). Como os estava deixando, sua presença não poderia ser física. Ele prometeu sua presença mediada pelo Espírito como “outro Consolador” (Jo 14.16). Ele estaria presente para capacitar a igreja, livrando-a de ficar órfã (Jo 14.18). Tão próxima é a conexão entre o Espírito, que foi enviado, e Cristo, que juntamente com o Pai o envia, que Paulo pode até falar de uma identidade entre eles (2Co 3.17). Cristo envia o Espírito. O Espírito testifica de Cristo. O Espírito habita na igreja de Cristo e transforma seus membros à imagem de Cristo (cf. 2Co 3.18; 4.4-6). Dessa forma, o Cristo ressurreto é o “Senhor, o Espírito”, enquanto o Espírito é “o Espírito de Jesus Cristo” (Fp 1.19).

Em segundo lugar, o Espírito Santo é o autor original da Escritura, que Paulo diz ser “inspirada por Deus” (2Tm 3.16). A referência é ao Antigo Testamento, pois essas eram as Escrituras que Timóteo “conhecia desde a infância” (vs. 14-15) e, portanto, era sobre elas que Paulo escrevia. O padrão geral da origem divina do Novo Testamento não pode divergir fundamentalmente daquela do Antigo Testamento. Isso é particularmente visto quando relembramos que o Antigo Testamento aponta para a vinda de Cristo. O Espírito que inspirou os profetas estava dirigindo-os a descrever as realidades que seriam cumpridas apenas quando Cristo viesse. A unidade do propósito divino enfatiza a unidade da própria Escritura.

Observemos também o argumento de Pe­dro, em 2Pedro 1.20-21. Pedro aponta para o fato de que o verdadeiro discurso humano na Escritura teve sua origem criativa no Espírito Santo. “Homens santos falaram”, diz ele. Todavia, eles falaram “da parte de Deus”. Eles foram “movidos pelo Espírito Santo”. O discurso deles não resultou da própria vontade deles. Em vez disso, o originador decisivo foi o Espírito Santo, que guiou os autores humanos, por assim dizer; mas isso foi feito de tal maneira que a própria humanidade deles não foi anulada, pois os pensamentos que eles expressaram eram verdadeiramente deles.

Em terceiro lugar, a Escritura como a Palavra de Deus é a palavra de Cristo. A Bíblia é a Palavra de Deus nas palavras dos seres humanos. Sua origem encontra-se no Espírito Santo. O Espírito procede do Pai e do Filho. Assim, a produção da Escritura pode ser traçada de volta ao Deus trino. Em termos da economia da salvação e, antes disso, da relação entre as pessoas da Trindade, a Bíblia é uma obra na qual o Filho também participa. Em termos da história da salvação, toda a Escritura testemunha da encarnação do Filho para nós e para nossa salvação. Foi o próprio Filho encarnado que, exaltado à mão direita de Deus, enviou o Espírito à sua igreja, o mesmo Espírito que é o principal autor da Sagrada Escritura.

Em quarto lugar, se vermos o ministério profético de Cristo como incluindo a produção da Escritura, seremos beneficiados em relação a uma compreensão mais integrada do evangelho. Algumas vezes, críticas são dirigidas à doutrina da inspiração da Escritura com fundamento no fato de que a Bíblia é por meio de si mesma elevada a uma posição de tal proeminência que ela equivale a algo como um “papa de papel.” Não seria a Bíblia, então, vista como uma competidora de Cristo? Confiamos em Deus para a salvação, mas nos deparamos então com um objeto adicional à nossa fé. Somos informados de que precisamos também crer na Bíblia. Ora, a Bíblia não compete com Cristo. Ela é parte de seu ofício profético. Ao nos rendermos ao Salvador, cremos, confiamos e obedecemos à sua palavra dada a nós pelo Espírito Santo por meio dos lábios dos profetas e apóstolos. O próprio Cristo é o grande chefe e profeta final, não apenas declarando a nós as obras e caminhos de Deus, mas também encarnando a verdade de Deus, pois ele é a verdade, o Criador e sustentador de tudo o que há. Assim, a palavra do Espírito a nós, como encontrada no Antigo e Novo Testamento, é a palavra do próprio Cristo a nós.

Conclusão

Cristo foi um profeta muito superior aos profetas do Antigo Testamento porque é o Filho de Deus, o conteúdo de sua própria profecia. Esse ofício foi exercido em seu ministério terreno e teve continuidade por meio dos apóstolos e da Escritura, pela qual Cristo continua, até hoje, falando à igreja.

Aplicação

Como o fato de saber que a Escritura faz parte do ofício profético de Cristo afeta sua vida? Como isso influência sua leitura da Bíblia?


> Autor do Estudo: Vagner Barbosa

>> Estudo publicado originalmente na revista Palavra Viva – Da criação à volta de Cristo, da Editora Cultura Cristã. Usado com permissão.

Deixe um comentário