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A Reforma, a arte e a vida! Parte II

A Reforma, a vida e a arte

Texto básico: Salmo 24.1,2; Romanos 12.1,2; 1 Coríntios 10.23-31

Para Ler e Meditar Durante a Semana
D – Salmo 27.1-14  >  A beleza do Senhor
S – Salmo 96.1-13  >  A beleza da Santidade de Deus
T – Gênesis 1.26-31  >  Tudo era muito bom
Q – Eclesiastes 3.9-15  >  Tudo fez Deus formoso
Q – Salmos 33.1-22  >  Cultuar a Deus com arte
S – 2 Coríntios 13.1-10  >  Nada podemos contra a verdade
S – 1 Coríntios 10.23-33  >  Tudo para glória de Deus

III. Afinal, existe arte cristã?

Eram os grandes escritores e artistas de séculos passados, como Milton, Bunyan Händel e Rembrandt pioneiros da “literatura e arte cristã”, ou simplesmente cristãos que criaram boa arte? Em qualquer curso secular de literatura que ainda aprecie os clássicos do Ocidente, pessoas que professavam ser cristãs dominam os nomes, mas suas obras são classificadas como “clássicos da literatura”. Não havia necessidade de criar uma classe especial de literatura para eles, porque foram reconhecidos por seus próprios méritos inerentes. É somente quando nossa arte torna-se de segunda categoria que temos de criar um lugar especial para ela e justificá-la pelo uso moral e evangelístico com que serve a comunidade cristã.

Mas nesse modelo que estou sugerindo, seria perfeitamente aceitável um cantor cristão talentoso encontrar uma gravadora secular e gravar um álbum que não mencionasse temas religiosos. Ironicamente, ao sugerir isso, cristãos reformados se arriscam a ser chamados de “mundanos” pelos mesmos crentes que permitiram que o mundo definisse sua vida espiritual e a arte que produzem.

IV. Quando Deus fica fora do dia-a-dia

A Bíblia adverte contra confundir as “coisas celestes” com as “coisas terrestres”, mas não adverte contra as “coisas terrestres” em geral. Quando Paulo disse: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2.8) ele não afirmava que os cristãos devessem considerar toda a sabedoria e filosofia humanas como hostis à fé. Lembre-se de que Paulo é o homem que argumentou em favor do Cristianismo a partir da filosofia humana em Atos 17. A sabedoria humana tem valor, mas ainda é humana e não tem supremacia sobre a divina. Aqueles que confundem as coisas celestes e as terrestres trivializam as terrestres quando acham que, em razão da Queda, não existe nada (ou quase nada) verdadeiro, bom ou belo no mundo que não seja especificamente cristão.[8] É por isso que temos a subcultura de música cristã, arte cristã e penduricalhos cristãos. Temos até mesmo “divertimentos cristãos”, políticos cristãos, turismo cristão em navios cristãos, e assim por diante. Mas essa confusão se sentia durante a Idade Média, antes que a Reforma distinguisse e devolvesse a dignidade às duas esferas – a secular e a sagrada. Calvino criticou os “fanáticos” que consideravam os afazeres seculares como “não espirituais” e portanto, desnecessários.[9]

Conclusão

O povo de Deus ainda está no mundo, e vive tanto na esfera comum quanto na esfera sagrada. A igreja medieval também distinguia entre o sagrado e o comum, mas fazia com que um fosse bom e o outro mau, definindo os cristãos mais espirituais como os que seguiam o “serviço cristão de tempo integral”, em vez de vocações “seculares” (ou seja, comuns). Os reformadores mantiveram a distinção bíblica entre o que é santo e o que é comum, mas insistiram que, como Deus havia criado o mundo e o sustém por seu poder, o mundo não pode ser uma âmbito inerentemente mau. Certamente é um campo de batalha no qual o bem e o mal, verdade e erro, fé e incredulidade lutam. Mas a igreja também é! Deus é que mantém a ambos, mas eles servem dois propósitos distintos. O propósito da igreja é adorar a Deus[10] conforme ele ordenou e levar o evangelho às nações. O mundo jamais poderá ser meio de redenção. A cultura não pode redimir. A arte não pode redimir. Ciências, educação, literatura e política não podem redimir. Mas nem por isso o mundo deixa de ser o “teatro da glória de Deus”, porque dele ainda “é a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24.1).

Foi esse conhecimento que libertou os grandes artistas seguidores da Reforma para criar obras que servissem tanto a religião quanto o avanço da cultura de modos apropriados para cada tarefa, sem confundir as duas. E é desse entendimento que precisamos hoje. Assim deixaremos de nos isolar em subculturas religiosas e passaremos a ser sal da terra e luz do mundo.

Aplicação

  1. Faça uma lista de atividades seculares em que você pode se envolver para a glória de Deus.
  2. Avalie que diferença fará para o seu trabalho secular fazê-lo para a glória de Deus.
  3. Em qual área artística secular você pode se envolver como um meio de glorificar a Deus?

Autor do estudo: Cláudio Marra
Estudo publicado originalmente pela Editora Cultura Cristã, na revista Expressão – Lições da História da Igreja 2. Usado com permissão.

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