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A adoração perigosa!

A adoração perigosa!

Onde a adoração nos leva ou que propósitos ela cumpre na vida pessoal e comunitária em nossas igrejas? Creio que o livro recém-lançado Adoração perigosa, de Mark Labberton, nos traz instigantes respostas e desafios. Ele resgata esse conceito de que a adoração tem o poder para mudar vidas e a realidade ao nosso redor.

Quem tem uma vivência de muitos anos em igreja bem possivelmente já viu esse cenário: pessoas julgando a qualidade do culto na igreja ou da vida em comunidade através de sua experiência sensorial do momento de louvor e adoração. “Foi muito abençoado”, “poderoso”, “saí renovada”, sempre a partir de certas experiências particulares baseadas em sensações, normalmente ligadas a suas próprias expectativas do que deveria compor esse momento da vida congregacional de uma igreja.

Recordo quando uma jovem me questionou dizendo que ela não sentia muito poder no louvor dos cultos comunitários de nossa igreja, ou que o experimentava apenas “de vez em quando”. Questionada sobre como seriam esses momentos que ela julgava especiais, ouvi que eram os de elevada emoção e intensidade, seja pelo ritmo, pela cadência, pelo volume, ou pelo conjunto da obra. Tentei aos poucos explicar-lhe que Deus se comunica com a gente, e nós com ele, de diferentes maneiras, inclusive no silêncio. E que o mais importante era a transformação gerada em nossas vidas por um encontro genuíno com o Senhor na adoração.

O livro de Labberton é muito bem-vindo porque resgata conceitos bíblicos importantes sobre o significado da adoração. Ele nos recorda que a verdadeira adoração nos leva direto ao coração de Deus, conectando-nos com ele, com seu olhar e atitude com o vulnerável e o oprimido no mundo. Mark também nos ajuda a desfazer-nos da névoa de concepções equivocadas para reordenar nossa vida e a realidade a partir da adoração.

Depois de expor os vários perigos, as falsas seguranças e as armadilhas quanto à adoração que segue as nossas próprias expectativas, ele nos ajuda a passear pelas Escrituras para bem fundamentar uma saudável teologia da verdadeira adoração. Assim, afirma o autor, chegamos à mais perigosa experiência que podemos ter na vida, a de nos encontrarmos com Deus. Nesse encontro, abandonamos idolatrias e nos deparamos com algo que nos transforma e muda o mundo.

Quer seja no descanso, na oração, na Palavra, na liturgia, o autor nos desafia a respirar uma vez mais a graça, a justiça e a misericórdia de Deus, para que vivamos de uma maneira justa na sociedade, guiados pelo seu Espírito. Usando categorias bíblicas como as do êxodo e do exílio, ele nos ajuda a entender onde estamos, se cooptados ou aprisionados em nossas concepções mundanas, e assim nos anima a fazer escolhas conscientes na vida comunitária da igreja e em nossa obediência missionária no mundo.

No Brasil de hoje, com tantas idolatrias sugando a energia e a vida da igreja, e que são encontradas dentro de nossos templos, não fora deles, esse livro é mais do que bem-vindo. Mark nos ajuda a despertar do pesadelo da indiferença, da desobediência e das devoções enganosas. Uma leitura necessária não só para aqueles envolvidos nos ministérios de louvor e adoração de nossas igrejas, mas para qualquer um que deseja ser fiel no seguimento de Jesus.

Apenas um alerta. Essa adoração será mesmo perigosa, porque certamente te incomodará e te transformará, porque significa relacionar-se intimamente com Deus e envolver-se em sua missão, com impactos em sua vida e por onde ele te conduzir. No final das contas, todos precisamos do risco desse encontro transformador com Deus na adoração. Quisera eu ter antes esse recurso para presentear aquela jovem com uma leitura que segue o título. Não segura, mas perigosa.


É casado com Ruth e pai de Ana Júlia e Carolina. Integra o corpo pastoral da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo (SP), serve globalmente como secretário adjunto para o engajamento com as Escrituras na IFES (International Fellowship of Evangelical Students) e também apoia a equipe da IFES América Latina.

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