Sombra mortal

Ele os tirou das trevas e da sombra mortal. (Sl 107.14). Debaixo da sombra andante — o toldo que Deus estendeu sobre o povo de Israel em todo o percurso entre o Egito e Canaã para os proteger do sol — é uma coisa. Debaixo da sombra mortal é outra.

Que sombra mortal é essa?

Não é necessariamente a sombra da morte, que põe um termo à vida. Sombra mortal é aquela sombra que esconde Deus de nossos olhos, que nos arranca a capacidade de enxergar o Autor da vida, que causa a pior de todas as cegueiras. Sombra mortal é a situação de quem está no calabouço, em completa escuridão.

O Salmo 107 menciona duas vezes a expressão “sombra mortal”. Um dos versículos descreve a loucura humana: “Assentaram-se nas trevas e na sombra mortal, aflitos, acorrentados, pois se rebelaram contra as palavras de Deus e desprezaram os desígnios do Altíssimo” (Sl 107.10,11). O outro versículo descreve a graça divina: “Ele os tirou das trevas e da sombra mortal, e quebrou as correntes que os prendiam” (Sl 107.14).

Essa é a grande esperança, em todos os tempos. O auge desse maravilhoso livramento tem tudo a ver com Jesus Cristo. Segundo a profecia, o Senhor viria “para abrir os olhos aos cegos, para libertar da prisão os cativos e para livrar do calabouço os que habitam na escuridão” (Is 42.7). Daí as últimas palavras do cântico de Zacarias, pai de João Batista: “Por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente, para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz” (Lc 1.78,79).

>> Retirado de Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos. Editora Ultimato.

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