Sede espiritual

No último e mais importante dia da festa, Jesus levantou-se e disse em alta voz: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. (João 7.37)

Esta mensagem de Jesus foi recebida com avidez pelos corações tristes das pessoas simples que estavam ali, principalmente as devotas. Eles veneravam a Cristo como profeta e Messias. Mas o resto do povo não estimava as palavras de Jesus. Foi por isso que Jesus escolheu palavras que falariam ao coração. Ele escolheu palavras que alcançariam aqueles que necessitavam ouvi-las. São palavras confortantes, amistosas e preciosas. Elas revigoram, confortam e fortalecem o sedento. Cristo construiu essa frase assim porque a sua Palavra, a menos que seja pregada ao sedento, geralmente é desprezada em vez de ser aceita.

Aqueles que estão sedentos encontram no próprio Cristo um pregador que os conforta. Ele mostra a eles onde saciarem a sua sede – nele, o Senhor Jesus. Mas, primeiro, devemos perguntar: “Que tipo de sede é essa?”. Somente então entenderemos o que Cristo quer dizer com beber e com a afirmação de saciar a nossa sede. Essa sede não é uma sede física, que pode ser satisfeita ao se beber cerveja ou vinho. É uma sede espiritual – uma sede da alma. É o anseio que vem de uma consciência triste, miserável, amedrontada e esgotada. É o desejo originado em um coração desesperado e aterrorizado, que quer saber como se apresentar diante de Deus. O povo sedento é o povo tímido e medroso que sente a sua pecaminosidade e a fraqueza do seu espírito, alma e corpo. Eles estudam as admoestações de Deus. Eles temem o Senhor Deus e consideram a sua lei, a sua ira, o julgamento, a morte e outros castigos. Esse temor é pura sede. Naturalmente, aqueles que têm temores, tentações e necessidades são bastante sedentos, por causa da sua ansiedade. Suas línguas se tornam secas. Eles ficam febris e os seus temores os desidratam. Esse temor é o que cria a sede espiritual.

>> Retirado de Somente a Fé – Um Ano com Lutero. Editora Ultimato.

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