Gente perdida…

Meus olhos se encharcam de água salgada.

São lágrimas a escorrer por gente que sofre.

Minha garganta responde atando um nó;

Com ele, tento manter bem dentro de mim a dor que quer sair.

 

Eu queria poder transformar minhas lágrimas em água sã.

Pra inundar os desertos de tanta gente que se secou.

Eu queria desatar o nó que faz minha garganta apertada;

E mandar pra bem longe daqui a dor que é de todos nós.

 

A dor de ver tanta gente perdida.

 

Gente que não achou a alma e ainda perdeu a vida que tinha;

Gente que não achou a alma e nem a vida que tem;

Gente que salvou a alma e perdeu a graça pela vida;

Gente que até acha graça na vida, mas o mundo não tem alma e nem coração.

Gente que lutou e se cansou;

Gente que cansou mas nunca lutou.

 

Eu queria poder transformar minhas lágrimas em água sã.

Pra inundar os desertos de tanta gente que se secou.

Eu queria desatar o nó que faz minha garganta apertada

E mandar pra bem longe daqui a dor que é de todos nós.

 

A dor de ver tanta gente perdida.

 

Gente perdida e distante de Deus;

Gente perdida na casa de Deus.

Gente que espera não sabe de quem;

Gente que espera de quem não tem.

 

Meus olhos se encharcam de água salgada;

São lágrimas a escorrer por gente que sofre.

Minha garganta responde atando um nó;

Com ele, tento manter bem dentro de mim a dor que quer sair

 

Eu mostro meus olhos e o meu coração pra Deus

Ele me acha, me dá graça e põe em mim um desejo de cantar

 

• Afa Neto é baiano da Chapada Diamantina. Teólogo e especialista em ética, subjetividade e cidadania, é casado com Diana e pai de Leo e Ainá. O que mais gosta de fazer é tocar seu violão, compor e escrever. Conheça seu blog pessoal.

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