A primeira viagem missionária de Paulo

Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: “Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. (Atos 13.2)

Barnabé e Saulo, juntamente com João Marcos, foram enviados como missionários pelos líderes da igreja em Antioquia. Em cada lugar que eles paravam, Lucas registra algo digno de nota. Em Chipre (lar de Barnabé) o próprio procônsul, “impressionado com o ensino do Senhor”, creu profundamente. Em Perge, na Panfília, João Marcos os deixou e voltou para casa. Na chegada em Antioquia da Pisídia, somos informados pela carta de Paulo aos Gálatas que ele sofria de uma enfermidade debilitante, talvez malária, que estava prejudicando sua visão. No entanto, foi ali que Paulo e Barnabé tomaram a decisão radical de voltar-se para os gentios.

Os missionários então viajaram cerca de cento e cinquenta quilômetros ao sul, rumo a Icônio, onde muitos judeus e gentios creram. Em Listra, após a cura de um aleijado, a multidão supersticiosa tentou adorá-los, mas Paulo os exortou a abandonar a idolatria e adorar ao Deus da criação. Em seguida, a multidão se voltou contra Paulo, o apedrejou e arrastou para fora da cidade, achando que ele estivesse morto. Adorado num momento, odiado no outro! Que povo mais volúvel. Mas Paulo se levantou e, na manhã seguinte, arrastou seu pobre corpo machucado numa caminhada de quase cem quilômetros rumo a Derbe, onde novamente muitos creram. Logo depois, Paulo e Barnabé retomaram o caminho de volta, visitando as igrejas que haviam plantado e encorajando os novos discípulos. No retorno a Antioquia reuniram a igreja e “relataram tudo o que Deus tinha feito por meio deles” (14.27).

Qual era a política missionária de Paulo? Como escreveu Rolland Allen em seu famoso livro Missionary Methods: St. Paul´s or Ours? [Métodos missionários: os nossos ou os de Paulo?]: “Nada pode alterar ou disfarçar o fato de que Paulo deixou várias igrejas formadas em sua primeira viagem”. Quais as bases da sua política de implantação de igrejas? Podemos identificar três: a) Paulo exortava os novos convertidos a “permanecer na fé” (v. 22). Ou seja, havia um conjunto de verdades centrais que ele chamava de “fé” e que havia ensinado a eles; b) Paulo e Barnabé “designaram-lhes presbíteros [plural] em cada igreja” (v. 23); c) Paulo e Barnabé os encomendaram ao Senhor, convencidos de que ele era capaz de cuidar de seu próprio povo.

Assim, as jovens igrejas tinham os apóstolos para ensiná-las, pastores para pastoreá-las e o Espírito Santo para guiá-las e protegê-las. Com essa tripla provisão, as igrejas estariam a salvo.

Para saber mais: Atos 14.21-28

>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

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